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A Biografia de Hélio Holanda de Melo

A obra de Hélio Melo possui diferentes, e aparentemente contraditórios, aspectos: é ao mesmo tempo primitiva, supersticiosa, regional, eclética, multimídia e atual. Tudo em Hélio Melo é espontâneo, com uma simplicidade que só é encontrada entre as obras daqueles que normalmente classificamos de gênios.
Hélio Melo nasceu no seringal Senápolis, às margens do rio Antimari, no dia 20 de julho de 1926, de onde se mudou para o seringal Floresta, na mesma região. Aos doze anos já trabalhava nas estradas de seringa mas, como ele mesmo admitia, tinha muito medo das coisas do mato, tornando sua produção pequena em relação a dos outros seringueiros.
Durante sua infância no seringal Hélio Melo aprendeu a ler e a escrever, dentro do possível, acabando por descobrir que também gostava de desenhar e de música. Foi ali também que ele ouviu dos índios Apurinãs, habitantes tradicionais da região, histórias dos seres da floresta, fossem eles animais, vegetais e/ou seres encantados, como seu velho amigo Mapinguari.
Hélio Melo veio para Rio Branco, em 1959, onde conseguiu um emprego de catraieiro. Enquanto transportava as pessoas de um lado para outro do rio Acre transportava também as conversas e as novidades. Irrequieto, criou o “Jornal da Catraia”, feito de forma artesanal e que circulava todas as terças entre os catraieiros e usuários.
Com a construção da ponte metálica o trabalho dos catraieiros acabou, levando Helio Melo a fazer de tudo um pouco. Nesta época foi barbeiro ambulante, vigia e, cada vez mais, artista plástico e músico.
Sua original pintura começou a chamar atenção e logo apareceram convites para expor seus trabalhos em diversas cidades do Brasil e da Itália. Ainda hoje, as paisagens de seringais e seringueiros são uma forte referência para os artistas acreanos.
A música apareceu como complemento natural de toda arte que existia dentro de Hélio Melo. Apesar de autodidata, compôs diversas músicas e se especializou em tocar cavaquinho e rabeca, sempre em estilo popular, como fazia questão de frisar. E essa “musica popular” de Hélio Melo é aquela música que há décadas é ouvida nos seringais, pequenos povoados acreanos e permanece impregnando corações e mentes dos que por aqui se criaram.
Ao conhecer a arte de Hélio Melo descobrimos que ele veio para a cidade e aqui espalhou sua arte, mas seu coração, este sim, nunca saiu e nem sairá do interior das florestas.
Fonte: Biografia cedida pelos arquivos do Theatro Hélio Melo
E é sobre este e outros importantes homens da cultura acreana que este Blog se destina. Para servir como um banco de dados e acessível a todos!

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